As condições do transporte público na Região Metropolitana foram discutidas em audiência promovida pela Comissão de Administração Pública da Alepe, nesta quarta. A possibilidade de implementar a tarifa zero foi uma das principais questões abordadas. De acordo com o coordenador técnico da Urbana, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco, Bernardo Braga, metade dos passageiros já contam com gratuidade integral ou parcial. Aqueles que pagam o valor integral correspondem a apenas 17% do total. Ele ainda afirmou que, dos 127 municípios brasileiros que já adotaram a tarifa zero no transporte público, apenas 12 possuem mais de 100 mil habitantes. Na RMR, são quase dois milhões.
“Não é possível simplesmente transpor esses resultados para a Região Metropolitana do Recife. Cidades maiores, metrópoles, cidades de grande porte possuem características distintas. Isso faz com que o sistema de transporte seja muito mais complexo e caro.”
Entre 2023 e 2025, a quantidade de passageiros transportados diariamente pelo Grande Recife Consórcio de Transporte praticamente dobrou: passou de 750 mil para 1 milhão e 300 mil. Os números foram apresentados pelo diretor presidente da entidade, Matheus Freitas. Ele informou que o custeio do sistema no ano passado foi de aproximadamente um bilhão e 300 mil reais. As tarifas cobrem 900 milhões ao ano, e o Governo de Pernambuco faz um aporte de 360 milhões de reais. Matheus Freitas defendeu que todos os entes federativos destinem subsídios ao setor.
“Nenhum dos municípios da Região Metropolitana, com exceção de Camaragibe, contribui para o sistema de transporte público. Somente o Estado de Pernambuco. E a União tem a questão da parte do metrô. Então, uma das soluções para a questão da política tarifária, bilhete único, tarifa zero, passa, sim, por um pacto em que todos os municípios, o Estado e a União.”
A deputada Rosa Amorim, do PT, considerou contraditório o sistema de financiamento do transporte público. “É uma contradição porque quem lucra com o valor da passagem de ônibus são grandes empresas, e ainda quem custeia é o Estado.”
O processo de privatização do metrô do Recife, autorizado pelo Governo Federal este ano, também recebeu críticas . O vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de Pernambuco, Thiago Mendes, se posicionou contra a medida. “O laboratório da privatização do metrô, que foi o Rio de Janeiro, que prometia ampliar o acesso das pessoas ao modal, deu errado. Prometeu-se ampliar essa expansão para um milhão de trabalhadores usando e, depois de 20 anos, não se transporta um milhão no Rio de Janeiro e tem-se a passagem mais cara do Brasil.”
O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Pernambuco, Roberto Carlos Torres, falou sobre as dificuldades enfrentadas pela categoria. Um exemplo é a prática de “morcegamento” – quando as pessoas pegam carona se pendurando na lateral dos ônibus – e de “surfe” – quando sobem no teto dos veículos. Roberto Carlos também apresentou um vídeo com imagens de boletins de ocorrência de agressão a motoristas. “Motoristas que, quando pedem para que eles desçam, para que parem aquele ato, eles são muitas vezes apedrejados, ameaçados, xingados. [20:35-20:45] Quando esses jovens caem do veículo, ainda por cima, o motorista é responsabilizado.”
O promotor de Justiça Leonardo Caribé, que atua na Promotoria de Transportes da Capital, informou que há ações educativas nas escolas voltadas para a prevenção de surfe e morcegamento. Ele também defendeu a tarifa zero como saída para o problema da evasão de receitas. O deputado João Paulo, do PT, que solicitou a audiência pública, anunciou que pretende realizar viagens para conhecer experiências com a tarifa zero no Brasil. “Eu acho que nós poderíamos aprovar, hoje, aqui, já uma visita no mínimo a dois estados que têm avançado muito na linha da tarifa zero, que é o Rio de Janeiro, na cidade de Maricá, e Minas Gerais.”
Também participaram da audiência pública o gerente geral do Centro Integrado de Operações da Secretaria de Defesa Social, Coronel Alexandre Tavares, além do deputado Joaquim Lira, do PV, e da vereadora do município de Moreno Marilia Rufino, do PT.
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